05/06/2010

Palavras

Semelhante ao veneno mais letal, assim é a palavra descuidada e maliciosa que deixas escorrer dos teus lábios.
Vertida plena de amargura, inveja e outros desaires que desadornam o ser humano, ela espalha um odor fétido que torna desagradável o seu emissor.
Serpente cruel, a conversação injuriosa e leviana, levará a discórdia, asfixiando os bons propósitos e espraiando–se, derruba lares, destrói vidas, aniquila trabalhos nobres.
Geralmente, tal conversação desabonadora tem sua matriz nas mentes mesquinhas e desocupadas, quer intelectual, quer fisicamente.
Surge, muitas vezes, de um despeito qualquer e encontra guarida no coração invejoso que, cego às chamadas da consciência e da razão, se compraz em disseminar, às mãos cheias, as sementes da calúnia.
Quando sabedor de alguma verdade ou detentor de algum segredo que te tenha sido confiado, não podes jogá–lo ao vento como quem atira pedras, pois as palavras como as pedras, ferem, machucam podendo inclusive levar a morte.
Vigia tuas palavras! Não as disfarces sob a égide da mágoa, nem te justifiques como defensor da verdade pois esta só pertence a Deus e nenhuma criatura é detentora da total compreensão de alguns fatos.
Aprende a ouvir e silenciar.
Não te arrogues a julgamentos apressados, nem divulgues aquilo que, talvez, apenas o acaso te fez conhecer.
Afoga a amargura, a inveja e o ciúme que te solapam a alma. Desterra a mágoa e afasta o pensamento preconceituoso e julgador.
O que julgas ser uma simples "alfinetada" ou o chamado "desabafo", pode tornar–se o instrumento de grave enfermidade, levando ao desespero seres inocentes vitimados por tua insensatez.
Desperta! Represa esta torrente de malícia que se alastra em ti. As más palavras corrompem, nos diz o apóstolo dos gentios.
A conversação leviana é um vitríolo que corrói o nome mais honrado, desabona as almas mais delicadas, fazendo verter lágrimas amargas aos que lhe sofrem a injunção.
Vigia o teu falar para não retornares uma vez mais como obsesso a carpir dores que não sabes identificar mas que partem da tua alma fria e injuriosa.
Sê gentil em teu modo de falar, cortando toda insinuação desairosa a outrem. Permanece imune a esse vinho embriagador que é a célebre conversação leviana. Seja o teu falar pleno de ensinamentos, enriquecendo os que te escutam.
Joga ao vento as palavras de Jesus, semeando verdades benditas. Procura os recursos abençoados da prece e ora, fervorosamente, por aqueles que sabes caído em tentação ou prestes a cair. Auxilia–os pelo menos com o teu silencio caridoso e fraterno.
Evita ser o cristão complacente, conivente contigo mesmo e sê rigoroso com as portas de saída do teu coração, porque "a boca fala do que tem cheio o coração", nos diz Jesus.
Seja, pois o teu falar o retrato vivo do que levas na alma.
Amélia

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